Mauro Beting, autor do livro 10 mais do Palmeiras, lançará seu mais novo livro no próximo dia 16 de março, na Livraria Saraiva Megastore, Shopping Eldorado, a partir das 18:30 hs.
O livro "As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos", será lançado por Mauro junto com outro livro, "As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos", de Milton Leite.
Não esqueça: 4a feira, 16 de março, às 18:30 na Saraiva Megastore do Eldorado.
Leia abaixo a sinopse do livro que Mauro mandou prá gente.
***
Abrindo o jogo
Por Mauro Beting
Se o mundo da bola discute até o “Pelé do
futebol” (o próprio Pelé), elencar as sete melhores seleções de todos os
tempos é mais um jogo para discutir até o final da vida. O anacronismo e os
tempos diferentes de cada vencedor (campeão ou não) ajudam a tornar a escalação
ainda mais discutível. A bola que voa em 2010 é outra pelota se comparada a que
andava em 1970. Piorou? Melhorou? Mudou. Como a vida. Como o mundo.
A memória é seletiva. Esquecemos os bagres, escalamos
apenas os craques nos nossos times dos sonhos – mais oníricos que reais.
Editar (logo, selecionar) times e tempos não é fácil. É ritual de árbitro:
entrar em campo vaiado só por ter tido a pretensão de apitar um jogo desse tipo,
e correndo o risco de ser ainda mais xingado por qualquer deslize. Selecionar
sete times em quase 60 anos de futebol é um jogo de sete erros. Mesmo acertando
a mão na escolha de quem tanto acertou o pé em campos do mundo.
Como jornalista por esporte há quase duas décadas,
como apaixonado pelo futebol que vejo há 37 anos em estádios e estúdios, eu e o
time de editores da Contexto fizemos como os sete treinadores deste livro:
adotamos critérios (discutíveis como o futebol), selecionamos elencos (ainda
mais polêmicos), escalamos os times (prontos para serem cornetados), teimamos
demais, nos unimos nos erros, delegamos os acertos, vamos levar pancada da
imprensa, e fomos ao jogo invencível: como contar o muito que contaram essas
seleções para a antologia ilógica do jogo?
Para narrar uma história de futebol não bastam
historinhas. Este é livro para ser consumido sem moderação em botecos e
barracos de mesas-redondas, e sem reservas em bancos de escola e de beira de
gramado. Para tanto, escalo para entrevistas e análises os jovens jornalistas
André Rocha e Dassler Marques. Dois que sabem muito. E aprenderam que, no
futebol, só se chuta dentro de campo. Não no Jornalismo.
O Brasil de 1970, o melhor dos Brasis e do mundo, não
era apenas um punhado de craques. Era uma constelação ordenada. Não seria o
melhor de todos os times dos campos se não funcionasse como uma equipe
organizada. Contar a história de uma seleção histórica de Copa sem aprofundar
taticamente a discussão é julgar um livro pela capa – e levar para casa a
revista “Caras”.
Critério de seleção
Primeiro critério para um esquadrão participar do
nosso campeonato: disputar uma Copa do Mundo. Ficam de fora grandes equipes
como a Celeste Olímpica do Uruguai, medalha de ouro em 1924 e 1928. O
Wunderteam austríaco dos anos 30. Outra ausência sentida é a Argentina dos anos
40 de luta e de luto sem futebol e sem Mundiais.
Segundo critério para figurar nesta obra de três meses
de noites mal dormidas e sonhos bem acordados: é preciso ser uma seleção
sub-58. Isto é, ter entrado em campo a partir de 1952. É necessário para estar
neste estudo um futebol preservado pela tecnologia. Imagens para realmente
valer por muito mais de mil palavras. O Uruguai campeão de 1930 e 1950 e a
Itália bicampeã mundial de 1934-38 foram grandes times que li e ouvi –
mas não vi nada além de alguns gols. A Hungria de 1954 já deu para ver. E nada
igual se veria depois. Existem imagens suficientes para tentar entender a magia
do jogo magiar. Filmes do acervo de mais de 5 mil partidas de Gustavo Roman,
craque de Niterói como Zizinho e Gérson, enciclopédia esportiva como Nilton
Santos.
Terceiro critério de convocação: uma seleção apenas
por país. O Brasil pentacampeão (e mais o maravilhoso time de 1982) está na
obra-prima (e irmã) de Milton Leite, “As seis melhores seleções do Brasil
de todos os tempos”, desta editora. Fora o Uruguai (que não entra
pelo segundo critério de seleção), uma equipe representativa de cada escola
campeã mundial está no livro: Inglaterra de 1966, Alemanha de 1974, Itália de
1982, Argentina de 1986 e França de 1998. Alguns desses países mereciam mais de
uma seleção, campeã ou não. Mas a minha mãe não merece mais xingamentos.
Quarto critério de escolha: futebol é mais que bola na
rede. Não é preciso conquistar uma Copa para ganhar o mundo. Dois vices mais
campeões que muitos vencedores também estão selecionados: a Hungria de Puskas,
vice em 1954, e a Holanda de Cruyff, vice em 1974. Duas revoluções táticas e
técnicas apresentadas de modo total como o futebol que jogavam: análise tática
de cada jogo, cronologia da formação e explosão do time, o desempenho na Copa
do Mundo, casos, acasos, coisas e o ocaso de uma era. Além do perfil do
craque-bandeira de cada equipe.
Quinto critério: campeão não precisa ser admirado, mas
deve ser respeitado. Exemplo: a Inglaterra de 1970 era melhor que a de 1966
– mas a campeã mundial foi seleção anfitriã, quatro anos antes; a França,
em 1982 e 1986, era melhor tecnicamente que a campeã de 1998. Mas quem ergueu a
taça foi Zidane, não Platini. A Itália de 1978 jogou mais futebol que a de 1982
(e muito mais que a tetracampeã de 2006). Mas a Squadra Azzurra foi tri no
Mundial da Espanha; quatro anos antes, acabou no quarto lugar, na Copa na
Argentina. A base e o treinador eram os mesmos. O que justifica a escolha, o
que facilitou a conquista.
Sexto critério: não basta ser campeão – é
preciso ter craque. A Argentina tem uma escola tão boa quanto a brasileira. Mas
ganhou “apenas” duas Copas, em 1978 e 1986. Ou só uma: a segunda
foi conquistada pela pessoa física, digo técnica (e não química) de Diego
Maradona. Sem ele, possivelmente o organizado time argentino não teria vencido
a Alemanha - vice no México, campeã do mundo em 1990 com um bom time, bem
arrumado. Mas sem grandes craques. Não melhor que aquele que venceu a favorita
Holanda, em 1974, com alguns dos favoritos de todos os campos e tempos –
Beckenbauer, Gerd Muller, Overath, Breitner e Maier. Todos craques. Melhores
que os de 1990.
Saideira
Times enfim escalados, antes de começar o jogo, a
pergunta sem resposta: qual a melhor seleção das sete?
Até para não correr o risco de apontar uma das duas
únicas que não foram campeãs mundiais, fico em cima do muro.
Em paz com a consciência. E em dúvida se, realmente, a
história é contada apenas pelos vencedores na atividade que é a mais perfeita
imperfeição bolada pelo Homem – o futebol.
Bom jogo!