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Lista de Futebol com Números
 
27 de Agosto de 2010
Palmeiras VS Inter - parte 1

Amigos, depois do meu desabafo da semana passada sobre o Inter estar em pior situação do que o Palmeiras, resolvi pesquisar um pouco os números...

Hoje vamos comparar as receitas dos dois clubes, mas temos que lembrar alguns pontos: (1) a torcida do Inter é, na pior das hipóteses, metade do tamanho da nossa; (2) as cotas de TV são bem menores do que as nossas e (3) no novo contrato de patrocínio de camisa, o Banrisul vai pagar R$ 7 milhões em 2010 e R$ 9 milhões em 2011, quando nós quebramos o contrato com a Samsung porque achamos que R$ 15 milhões era pouco.

Considerando o exposto acima, temos que concordar que o Palmeiras deveria ter, no mínimo, uma receita 30 ou 40% maior do que a do Inter.  Concordam?  Bom, então vejam abaixo a comparação das receitas totais dos dois clubes em milhões de reais:

 

Alguém aí fica com vontade de cortar os pulsos?  Ou de esganar alguém? Eu fico, e muito!

Já é ruim o bastante ver que o Internacional tem receitas superiores às nossas, mas o pior mesmo é constatar que nos últimos 4 anos o Inter conseguiu somar mais de R$ 600 milhões R$ 557 milhões (desculpem, mas somei 2005 para o Inter) de receita e nós conseguimos somar quase R$ 400 milhões! 

Inter conseguir ter receitas de mais de R$ 200 R$ 150  milhões superiores às nossas! 50% 40%superiores!

Isso é simplesmente inadmissível!

Repito: inadmissível!

Se é verdade que em termos de receitas até podemos considerar que melhoramos muito em relação a 2006 e 2007, porém ainda estamos muito distantes de uma situação que podemos considerar boa!

Alguém aí discorda? 

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol
» Escrito por Luís Fernando Tredinnick | Comentários (27)
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20 de Agosto de 2010
É, a bola não entra por acaso!

 Aqueles mais atentos perceberam que o título desse post é (quase) o mesmo do livro escrito pelo ex-vice-presidente do Barcelona Ferran Soriano.  No livro ele mostra como um trabalho sério e de planejamento, incluindo a escolha do tipo de técnico que a equipe deveria ter, leva fatalmente aos títulos.

Hoje o post é para homenagear o Internacional que em pouco tempo se tornou o clube melhor administrado do país, como eu já cansei de dizer por aqui.

Vale lembrar que naquele ano negro em que o Palmeiras foi rebaixado, o Inter também brigou para não ser rebaixado, enquanto nós fizemos 27 pontos o Inter fez 29.  E olha que o Inter desde 1979 só tinha conseguido como títulos relevantes a Copa do Brasil de 1992 e a Mercosul de 1996 (isto é, considerando-se que a Mercosul é um torneio relevante), ou seja em 23 anos, apenas dois títulos relevantes – alguma lembrança dos nossos tempos de fila?.  Para piorar a situação em 2002, a dívida do Inter era muito maior do que a nossa.

Aí, o clube acabou se modernizando. Implantou uma administração profissional, desenvolveu o melhor programa de sócio-torcedor do país, possui hoje a melhor categoria de base do país (não é o melhor critério, mas é o líder em receita com a venda de jogadores), é o único clube com ISSO 9000, possui o melhor programa de licenciamento da sua marca do país, etc, etc.

Como resultado de todas essas mudanças um clube que possui cotas de TV menores em relação aos demais clubes grandes do país, que possui um alcance apenas regional (basta lembrar que seus patrocinadores são ainda hoje empresas do sul do país – e uma é estatal!!!- que aparentemente paga R$ 9 milhões por ano a partir de 2011 algo muito menor do que os R$ 15 milhões que a Samsung pagava para nós e considerávamos esse valor baixo!!!) e com uma torcida pequena, conseguiu ser consistentemente um clube com uma das maiores receitas do país. 

Essa receita permitiu ao clube montar bons times. As colocações no campeonato brasileiro melhoraram consideravelmente. Em 2003 o clube foi o 6º, em 2004 8º, em 2005 vice (roubado, lembram?), em 2006 vice novamente, em 2007 11º, em 2008 6º e em 2009 novamente vice. Sem contar a Libertadores em 2006, o Mundial, a SulAmericana em 2008 e novamente a Libertadores em 2010 (e outros menores, como a Recopa em 2007).

Se vocês lembram corretamente, o Inter tinha bons times em 2007 e 2008 e suas colocações no Brasileirão não refletem o que se esperava do time.  Em 2007 o time foi todo refeito e ,inclusive, o Inter foi o primeiro time campeão da Libertadores a ser eliminado na primeira fase do torneio seguinte.

Olhando o time campeão, ainda que não exista nenhum grande destaque individual, temos uma interessante mistura de jogadores que fazem a base do time há algum tempo, pratas-da-casa e velhos ídolos repatriados. 

Altas receitas para manter um time competitivo fatalmente irão levar a qualquer clube aos títulos.  Olhando em perspectiva tudo o que aconteceu com o clube de 2003 para cá, acho que podemos dizer que existem milhares de razões para o Inter ter sido bi-campeão da Libertadores, mas certamente nenhuma dessas razões é o acaso.

E NÓS?

Será assim tão difícil o Palmeiras aprender com o Inter?

Considerando-se que temos cotas de TV maiores, valores de patrocínios maiores já que somos um clube com alcance nacional e temos uma torcida muito maior, deveríamos ter sempre uma receita maior e, conseqüentemente, times mais competitivos.

Obviamente, se os times forem mais competitivos, teríamos mais títulos.

Então, até quando teremos que esperar por mudanças drásticas no nosso clube para que caminhemos para uma administração profissional que nos leve novamente aos títulos?

Até quando?

 Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

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13 de Agosto de 2010
Os clubes ingleses gastam...

Amigos, no último post escrevi um pouco sobre porque não conseguimos competir com os clubes ingleses, já que eles gastam muito mais dinheiro do que nós com salários dos jogadores.

Também descobri algo bastante interessante e que explica, mais uma vez, porque o clube tem que estar sempre preocupado em aumentar as suas receitas.

Separei os clubes ingleses em dois blocos: aqueles que faturam mais de 100 milhões de libras esterlinas e aqueles que faturam entre 60 e 100 milhões.

Observem no gráfico abaixo quanto os clubes que faturam mais de 100 milhões de libras esterlinas gastam em salários em % da sua receita.

Na média esses cinco clubes gastaram 56% da receita com os salários dos jogadores.  Tirando o Chelsea, que todos nós sabemos que seu proprietário não está exatamente interessado em ter lucro com o futebol, esse percentual cai um pouco: 50%.  

E olha que tirando o Tottenham todos os clubes ali têm gastos salariais também acima de 100 milhões de libras esterlinas. Na média os gastos são de 112 milhões.

Agora observem quanto os clubes que faturam entre 60 e 100 milhões gastam em salários em % da sua receita:

A média de gastos vai para 83%! Com a média de gastos salariais de 62 milhões.

OU SEJA?

Ou seja,  os clubes médios para tentarem ser competitivos precisam investir mais em salários de jogadores proporcionalmente às suas receitas.  Esses clubes precisam arriscar mais!  Se não arriscarem mais e comprometerem um pouco mais das suas receitas eles não conseguirão se classificar para os torneiros internacionais que são os mais rentáveis.

Essa é a dinâmica mundial do futebol. 

Então, para um clube existem dois departamentos fundamentais: (1) o do futebol que precisa montar bons times, desenvolvendo jogadores da base e fazendo boas contratações no mercado (2) e o departamento de marketing que precisa sempre fazer com que as receitas do clube cresçam, para que o clube possa pagar pelos bons times.

Quem diria, que tão importante quanto um camisa 10 é um bom marketeiro, hein?

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

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06 de Agosto de 2010
Os chineses estão chegando

Pois é amigos, duvido que alguém de vocês já tenha escutado falar de Kenny Huang.  Tudo bem, até alguns dias atrás eu também nunca havia escutado falar dele.

E por que ele deveria ser relevante para o mundo do futebol?  Pelo simples motivo que ele quer comprar um famoso e tradicional clube inglês: o Liverpool.

Para isso o chinês da foto acima está negociando a compra da dívida que o Liverpool tem com o Royal Bank of Scotland, a quem o Liverpool deve cerca de 250 milhões de libras esterlinas!!! Isso é quase R$ 700 milhões!!!  E como ele vai fazer isso? Simples ele representa o China Investment Corporation (CIC) que é o fundo soberano estatal chinês!

A China diz que o CIC busca “contribuir para a prosperidade e desenvolvimento das economias locais”. Ah, e vai fazer isso através de um clube de futebol inglês? Eu não sei vocês, mas eu estou rindo até agora...

O LIVERPOOL COM PROBLEMAS FINANCEIROS

Mesmo para padrões ingleses a situação financeira do Liverpool é calamitosa: receitas de 185 milhões de libras na temporada 2008-09, com um prejuízo de 55 milhões e uma dívida de 394 milhões em julho de 2009. Aparentemente a dívida hoje está em “apenas” 351 milhões. Como qualquer um pode ver é uma máquina de perder dinheiro.

Hoje o Liverpool pertence a ninguém mais ninguém menos que Tom Hicks e George Gillett.  HickS é aquele mesmo do fundo Hicks, Muse, Tate & Furst que por algum tempo comandou o futebol no Corinthians.  Alguém nota algum tipo de padrão se repetindo?

Evidentemente estamos falando do futebol inglês então além de movimentos extremamente suspeitos que não fazem sentido econômico, também temos que ter lances de novela mexicana.  No meio dessas negociações aparece um sírio, de nome, Yahya Kirdi, que representaria “importantes investidores do oriente médio e Canadá”  que também estão interessados em comprar o clube.  Logicamente que a presença desse Yahya e dos “investidores” deve ser apenas jogo de cena para que os atuais donos consigam um preço maior pelo clube...

Pois é, nos tempos da guerra fria a frase “os russos estão chegando”  causava arrepios em todos aqueles que não eram comunistas.  Hoje a frase “os chineses estão chegando”  deve causar ainda mais medo...

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

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30 de Julho de 2010
Realmente não dá para competir!

Pois é amigos, eu vivo dizendo por aqui que não há como os clubes brasileiros competirem com os clubes europeus.  Ainda tem gente que acha que eu estou errado...

Bom, esta semana eu me deparei com os custos salariais dos clubes da Liga Inglesa da temporada que acabou um pouco antes da Copa do Mundo. O patamar de custos salariais de um clube inglês é basicamente fora de escala em comparação com os clubes brasileiros.

Observem na tabela abaixo os custos salariais dos clubes ingleses em R$ milhões, convertidos de Euros a uma taxa de 2,35:

 Incrível, não?

 Uma das curiosidades dessa lista é que os três clubes que mais gastaram foram os clubes de melhor colocação no campeonato inglês. 

Já cansamos de dizer por aqui, nem sempre gastar mais é sinônimo de sucesso. Porém geralmente os melhores jogadores acabam tendo os maiores salários e, portanto, os clubes com os melhores elencos acabam gastando mais. E geralmente os melhores elencos ganham os campeonatos. 

Na comparação com o Palmeiras, a coisa fica realmente feia.  Em 2009 fizemos aquele festival de contratações erradas e que custaram muito dinheiro.  Quando olhamos no balanço do Palmeiras e somamos os custos de salários com os custos de Direitos de Imagem, chegamos ao total de quase R$ 74 milhões! 

Ou seja, dos 20 clubes da primeira divisão inglesa, apenas dois gastam menos em pessoal do que o Palmeiras, um gasta a mesma coisa e ou outros 17 gastam mais!

Como o Palmeiras teve oficialmente um total de receitas de R$ 123 milhões, chegamos à conclusão que onze clubes ingleses gastam mais em salários do que toda a receita que o Palmeiras consegue gerar! Não dá para competir, dá?

Pelas minhas estimativas, não seria loucura para um futuro próximo projetar uma receita de R$ 300 milhões para o Palmeiras.  Acontece que desse valor poderíamos gastar até uns 55% em salários de jogadores, ou seja, uns R$ 165 milhões.   Ainda assim vamos ficar muito longe do patamar de despesas atual!

É, haja criatividade para se competir com clubes com poder econômico muito maior do que o nosso...

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

 

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